Acho que se, há muito tempo atrás, já tivessem me ensinado que o amor é essa faca de dois gumes, eu não teria sequer acreditado. Quanto mais aprendido. Se, por um acaso, quisessem me exemplificar de maneira clara, sem sub-conceitos, de que o amor tem um aliado ruim tão quase maior que ele; que quanto maior o amor, maior o aliado; que da felicidade se vem junto a sua maior tristeza, eu não teria entendido. Como, em sã consciência, há essa possibilidade no mundo de entrar em um mar glacial e se arder de fogo? Pintar algo de preto e ver branco? O amor tem seu oposto tão próximo… Eu não sei. Talvez, se eu tivesse entendido, as coisas não seriam como hoje são. Eu não estaria na cama essa hora da noite me contorcendo de pensar no dia seguinte. Eu, provavelmente, não saberia me comover tão bem com certas situações. Eu não iria passar horas discutindo com meu teto sobre clichês e efemeridades. Pode ser, até, que eu não quisesse sorrir ao mesmo tempo que choro (ou vice-versa). Mas que fique bem claro: Se eu tivesse entendido, se eu tivesse acreditado… Se tivessem me contado que a dor seria tão berrante junto à felicidade imensa, eu ainda sim estaria aqui às 21 horas da noite de mais uma noite fria de São Paulo dizendo: Eu amo você.
Eu não teria desistido de amar. E, acredite, eu nunca teria desistido de você.
Faz parte cair quando se passa mais que a metade dos seus dias no céu.
Obrigada por me ensinar os dois extremos mais bonitos.
Caprikorn.